Defesa de investigado por tráfico de drogas em Itapiranga emite nota de esclarecimento

Por Ricardo do Nascimento, Itapiranga

Compartilhar
Defesa de investigado por tráfico de drogas em Itapiranga emite nota de esclarecimento
Foto: Divulgação

A defesa dos investigados por tráfico de drogas e associação para o tráfico, presos durante a Operação Protetor, no dia 9 de dezembro. Na nota, os advogados apontam algumas divergências em relação ao que foi divulgado do caso.

Segundo a defesa, as plantas de cannabis eram utilizadas para o tratamento da filha do casal e que a licença para o plantio já havia sido solicitada a órgãos competentes. Aponta ainda que o medicamento usado pela criança foi apreendido e gerou custo de R$ 780 para a aquisição no dia seguinte.

Além disso, a defesa argumenta que não houve apreensão de nenhum caderno com anotações de venda da droga. Também reforça que o casal não possui nenhum envolvimento com comércio de cocaína.

Confira o que diz o comunicado:




NOTA À IMPRENSA

Diante das notícias divulgadas recentemente sobre a prisão de um casal e de um familiar em razão do cultivo de plantas de cannabis em ambiente domiciliar, a defesa vem esclarecer alguns dos temas que foram publicados.

Primeiro, o uso terapêutico dos canabinoides (CBD, THC, CBG, CBN, etc..), extraídos da Cannabis sativa, são reconhecidos por autoridades sanitárias ao redor do mundo, amplamente respaldado por estudos nacionais e internacionais.

A ANVISA, por exemplo, autoriza a comercialização nas farmácias do produto “Mevatyl”, elaborado a base de THC e CBD, desde 2017.

Esses remédios a base de cannabis são usados no tratamento de doenças graves como epilepsia, transtorno do espectro autista, Parkinson, Alzheimer, dores crônicas e outras condições que impactam diretamente a qualidade de vida de milhares de pacientes e seus familiares.

O casal investigado já possuía salvo-conduto judicial, concedido por meio de habeas corpus, para o cultivo medicinal da cannabis, com finalidade terapêutica tanto para uso próprio como para o tratamento da filha, diagnosticada com epilepsia e autismo, que apresentou melhora clínica significativa, chegando a superar um quadro em que, no auge da condição, sofria até 15 crises convulsivas por noite, e que atualmente são inexistentes.

A renovação do salvo-conduto foi requerida antes da prisão em flagrante e segue sem apreciação judicial. Paralelamente, a família também havia dado início aos procedimentos para criação de uma associação buscando auxiliar pacientes que necessitam de cannabis como ferramenta terapêutica, com caráter estritamente médico-científico, sendo o único objetivo ampliar o acesso a tratamentos seguros e regulamentados para outras famílias, especialmente na nossa região.

A produção do óleo é cuidadosa e seletiva: apenas plantas do sexo feminino possuem propriedades medicinais, e muitas são descartadas por perdas naturais ao longo do processo. Para produzir uma quantidade mínima de extrato, é necessário cultivar diversas plantas, já que muitas não apresentam as condições ideais de extração, devendo ser descartadas.

Durante a operação policial, os medicamentos já prontos e destinados à filha do casal foram apreendidos, o que causou a interrupção temporária do tratamento. No dia seguinte, a família precisou adquirir quatro novos frascos pelo valor de R$ 780,00 para o tratamento mensal.

Diferentemente do que foi divulgado, não houve apreensão de cadernos, listas ou outro registro que indicasse o comércio da planta.

Importa também esclarecer que não há qualquer indício de envolvimento do casal ou dos familiares com a venda de cocaína ou de qualquer outra substância ilícita. Nenhum documento ou material apreendido sugere esse tipo de associação, sendo indevida qualquer tentativa de vincular os investigados a condutas que extrapolem o contexto do cultivo medicinal.

Por fim, a defesa reafirma seu compromisso com o devido processo legal, e repudia a exposição pública indevida dos envolvidos, o que não contribui para o avanço do debate sério, técnico e ético sobre o uso medicinal da cannabis no Brasil.

Fonte: Portal Peperi

Fique por dentro das últimas novidades do Portal Peperi