Com sanção da LDO, pagamento de emendas terá calendário pela 1ª vez

Por Ricardo Orso, São Miguel do Oeste

Compartilhar
Com sanção da LDO, pagamento de emendas terá calendário pela 1ª vez
Foto: Divulgação, CNN Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve na sanção da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026 a previsão de um calendário de pagamento de emendas parlamentares antes das eleições.

Escrito em lei pela primeira vez, o prazo para o pagamento valerá para um percentual das emendas impositivas, ou seja, de execução obrigatória. Os repasses deverão ser feitos até o fim do primeiro semestre do ano.

Pleito antigo dos parlamentares, o cronograma dos repasses foi negociado durante a votação da proposta no Congresso Nacional e teve o aval do governo.

Pela lei sancionada, 65% das emendas individuais e de bancadas estaduais terão que ser pagas até julho. O cronograma valerá para liberação das chamadas "emendas Pix", de transferência especial direta, e para os recursos destinados a fundos de saúde e de assistência social.

A criação de um calendário de pagamento dos repasses era uma demanda recorrente dos parlamentares, que antes já tentaram inseri-la na LDO de anos anteriores e viram o governo barrar ou vetar o cronograma.

Na sanção do Orçamento de 2024, o presidente Lula vetou a criação do calendário. Neste ano, após uma série de negociações, o Executivo aquiesceu e deu aval para a ideia.

Os congressistas argumentam que a definição de um prazo para os repasses dá mais previsibilidade para o uso dos recursos. A ideia ganhou mais força neste ano por conta do período eleitoral, em que os parlamentares miram abastecer as suas bases antes do pleito.

Para 2026, o projeto da LOA (Lei Orçamentária Anual) direciona R$ 61 bilhões para as emendas. Lula ainda não sancionou a proposta – o prazo para sanção é até 14 de janeiro. O presidente já criticou diversas vezes o aumento das emendas e a impositividade. Ele argumenta que o crescimento desses recursos “engessa” o Orçamento e a margem de manobra do Executivo.

Nesta semana, na sanção do projeto sobre o corte em incentivos tributários concedidos pela União, Lula vetou o dispositivo que permitiria a liberação de “restos a pagar” de emendas não executadas de 2019 a 2023. O trecho já havia sido suspenso pelo ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal).

A impositividade das emendas individuais foi aprovada pelo Congresso em 2015, como emenda à Constituição. Esses são os recursos indicados por cada deputado e senador. Depois, os congressistas também aprovaram, em 2019, a impositividade das emendas de bancada estadual.

No governo anterior, os parlamentares tentaram tornar obrigatórias as emendas de relator e as de comissão, mas as mudanças foram vetadas pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). Neste ano, parte dos congressistas pressionou para retomar o debate e ampliar a impositividade para as emendas de comissão, mas não houve avanço nas negociações.

Fonte: Portal Peperi

Fique por dentro das últimas novidades do Portal Peperi