Caso Orelha: polícia solicita internação de adolescente

Por Lucas Lôndero, São Miguel do Oeste

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Caso Orelha: polícia solicita internação de adolescente
Foto: Divulgação

A Polícia Civil de Santa Catarina solicitou a internação de um adolescente apontado como responsável pela morte do cão Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis. O pedido foi feito na conclusão do inquérito policial, finalizado nesta terça-feira (3). Outros quatro adolescentes também foram representados no caso envolvendo o cão Caramelo, que sofreu agressões, mas sobreviveu.

De acordo com a Polícia Civil, o adolescente deixou o condomínio onde mora, na Praia Brava, por volta das 5h25 do dia 4 de janeiro de 2026. Perto das 6h, ele retornou ao local acompanhado de uma amiga, fato que configura uma das contradições identificadas em seu depoimento. Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas durante a investigação, que apurou a participação de oito adolescentes suspeitos. Imagens de câmeras de monitoramento e as roupas utilizadas no dia do crime estão entre as provas que levaram à identificação do autor.

No mesmo dia em que a Polícia Civil tomou conhecimento de quem seriam os suspeitos, o adolescente viajou para fora do Brasil. Ele permaneceu no exterior até o dia 29 de janeiro, quando foi interceptado pela polícia ao desembarcar no aeroporto.

Ainda segundo a investigação, no momento da chegada ao país, um familiar tentou esconder um boné rosa e um moletom que estavam com o adolescente, peças consideradas relevantes para o caso. O familiar alegou que o moletom teria sido adquirido durante a viagem, porém o próprio adolescente admitiu que já possuía a peça e que a utilizava no dia do crime.

A delegada Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal da Capital, afirmou que houve risco de fuga enquanto o adolescente esteve fora do país, além da possibilidade de descarte de provas importantes, como o telefone celular.

— Por conta do Estatuto da Criança e do Adolescente, só conseguimos completar esse quebra-cabeça com a tomada de declarações do adolescente investigado. Em diversos momentos, ele se contradisse e omitiu fatos importantes para a investigação — destacou o delegado da Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) da Capital, Renan Balbino.

Com a conclusão da extração e análise dos dados dos celulares apreendidos, a Polícia Civil espera corroborar provas já obtidas e confirmar outras informações levantadas ao longo do inquérito. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina informou ao NSC Total que, por envolver adolescentes, o caso tramita em segredo de Justiça, o que impede a divulgação de mais detalhes.

O que diz a defesa

Em nota, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do adolescente, afirmaram que as informações divulgadas até o momento são “meramente circunstanciais” e não constituem provas que permitam conclusões definitivas.

Segundo a defesa, a atuação ocorre de forma técnica e responsável, com o objetivo de buscar a verdade real e demonstrar a inocência do jovem. Os advogados também protestaram pelo fato de ainda não terem tido acesso integral aos autos do inquérito.

A nota ressalta ainda que a politização do caso e a tentativa de apontar culpados a qualquer custo estariam inflamando a opinião pública com base em investigações consideradas frágeis e inconsistentes, o que, segundo a defesa, viola ritos legais e pode atingir de forma irreparável pessoas inocentes.

Fonte: Portal Peperi

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