A BR-101 em Santa Catarina é a estrada federal com o maior número de acidentes do país, segundo o anuário referente a 2021 da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A via também é a que possui o maior número de feridos em ocorrências de trânsito e a sexta com mais mortes.
Os dados foram divulgados na terça-feira, 17. No ano passado, a PRF registrou 4.094 acidentes na BR-101 do estado. Foram 4.310 feridos, com 129 mortos.
Outra rodovia catarinense também aparece na lista, a BR-470, no Vale do Itajaí. Ela é a décima com mais acidentes e a nona com mais feridos.
Na BR-101 catarinense, motos, carros e caminhões de carga pesada disputam o espaço. A rodovia corta Santa Catarina de Norte a Sul. Passa por Joinville, a maior cidade do estado, pelas praias mais turísticas e pela capital.
Para as cidades cortadas pela BR-101, a rodovia pode parecer uma avenida. É o caso de São José, na Grande Florianópolis, com comércio, serviços e shopping às margens da via. E é justamente essa urbanização que faz com que ela seja a estrada federal com o maior número de acidentes do país, segundo a PRF.
"A maioria dos acidentes são de pessoas que moram em um raio de 5 quilômetros do local do acidente. São pessoas que usam a rodovia para ir no comércio, para ir na escola, visitar um parente. Não são veículos viajando longas distâncias", afirmou o inspetor da PRF Adriano Fiamoncini.
A maioria dos acidentes têm a mesma causa, de acordo com ele. "É o motorista que tem a falta de atenção, não mantém a distância de segurança do veículo que segue à frente, muitos acidentes com motociclistas, que é algo típico de rodovia urbanizada, atropelamento de pedestres, também característico de rodovia urbanizada", disse.
"Mas outros acidentes são fruto sim de falta de logística, de uma rodovia que não conseguiu acompanhar o crescimento desordenado ao seu redor", completou o inspetor.
Uma alternativa estrutural para minimizar o fluxo de veículos na BR-101 e, assim, reduzir as possibilidades de acidentes, está há anos sendo feita: o contorno viário. A via tiraria veículos pesados da região metropolitana de Florianópolis.
"Ajudaria do ponto de vista da engenharia, é um dos elementos fundamentais. Mas, infelizmente, não podemos contar com esse contorno para tão breve porque, além de estar atrasado há uma década, não há perspectiva de que ele possa ser concluído, com todas as suas etapas, nos próximos 1 ou 2 anos. Embora seja muito importante, não será ele que vai nos ajudar nesse momento", afirmou o doutor em engenharia de transporte José Lélis.
Segundo ele, tão importante quanto a infraestrutura é a conscientização no trânsito. "Outro ponto que a gente acredita que contribua bastante é a ausência de um trabalho de orientação mais significativo, trabalho educativo. A gente não observa orientação educativa, informativa, ao longo do trecho, nem em períodos mais sazonais, de turismo intenso. A ausência do processo educativo permanente somado a urbanização se forma como se fosse uma verdadeira bomba-relógio para acontecer essas tragédias todas que nós temos", disse Lélis.
Fonte: Portal Peperi
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