O setor leiteiro de Santa Catarina enfrenta uma das piores crises dos últimos anos. Dados da Epagri mostram que os produtores estão tendo um prejuízo médio de R$ 0,15 por litro de leite produzido. Em algumas regiões, esse valor pode chegar a R$ 0,20. O custo de produção gira entre R$ 1,80 e R$ 2,20, enquanto o preço recebido pelo litro vendido não passa de R$ 2,00.
De acordo com o presidente do Sindileite/SC, Selvino Giesel, o cenário atual é o resultado de uma combinação de fatores negativos. “Estamos vivendo a tempestade perfeita. Houve aumento na produção, o consumo caiu e os preços estão baixos tanto no atacado quanto no varejo”, explicou em entrevista à Rádio Peperi.
Segundo ele, a produção de leite em Santa Catarina aumentou 8% em relação a 2024, e o Brasil teve crescimento de 5%. Apenas em setembro deste ano, o estado registrou alta de 16% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Essa elevação, segundo Giesel, foi estimulada pela redução no custo dos insumos, como grãos e farelo.
Apesar da queda nas importações em relação ao ano passado, o leite vindo do Mercosul continua impactando o mercado interno. “O maior problema, no entanto, é a redução no consumo. A renda das famílias está menor, e isso afeta diretamente o consumo de lácteos”, afirmou o presidente.
Giesel também alertou para a situação dos pequenos produtores, cerca de 80% da produção de lácteos no estado vem de famílias com renda de até R$ 3,5 mil por mês. “Qualquer redução no poder de compra tem reflexo direto na cadeia do leite”, completou.
Outro ponto de atenção é o fim do atual acordo do Mercosul, previsto para 2030. Giesel defende que o Brasil aproveite esse prazo para estabelecer regras que tragam equilíbrio à produção nacional.
O deputado estadual Altair Silva (PP) confirmou que a situação será tema de uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), marcada para 12 de novembro. “Temos relatos de que o custo de produção chega a R$ 2,20 por litro, enquanto o valor de venda não passa de R$ 2,05. Isso compromete a renda e ameaça a sobrevivência de milhares de famílias”, afirmou.
A audiência foi aprovada pela Comissão de Agricultura da Alesc e deve reunir representantes de toda a cadeia produtiva, especialistas e órgãos públicos. A meta é discutir medidas de apoio, inclusive emergenciais.
Em 2024, Santa Catarina bateu recorde de produção com 3,3 bilhões de litros, o que representa 9% da produção nacional. Mesmo assim, mais de 20 mil famílias enfrentam dificuldades para se manter no campo.
O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de São Miguel do Oeste, Adair José Teixeira, diz que o momento é crítico. “Os produtores investiram muito e, mesmo assim, vemos famílias deixando a atividade. Isso compromete a sucessão familiar e o futuro da produção rural.”
Teixeira reforça que é preciso barrar a entrada de leite em pó do Mercosul e pede mais proteção ao setor. “Hoje, o custo em muitas propriedades do Extremo Oeste passa de R$ 2,15 por litro, e tem produtor recebendo menos de R$ 2,00. Assim não tem como continuar.”
Fonte: Portal Peperi
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