No terceiro episódio do programa “Divulga Ciência”, o professor Jackson Preuss apresenta um projeto de pesquisa que investigou a diversidade de mamíferos em um remanescente da Mata Atlântica no Extremo-Oeste de Santa Catarina. O estudo, financiado pelo Governo do Estado de Santa Catarina, por meio do Fundo Estadual de Apoio à Manutenção e ao Desenvolvimento da Educação Superior (Fumdes) – artigo 170, teve como objetivo preencher uma lacuna no conhecimento sobre a biodiversidade da região.
— O Brasil é considerado um país megadiverso, abrigando cerca de 20% de todas as espécies de seres vivos do planeta. No entanto, essa biodiversidade enfrenta sérios problemas, como a caça predatória e a perda de habitat, principalmente devido ao desmatamento e às queimadas. A primeira estratégia de conservação é conhecer as espécies que habitam determinadas áreas — explica o professor Jackson.
A pesquisa se concentrou em inventariar mamíferos de médio e grande porte em uma área de 70 hectares de Mata Atlântica preservada, localizada no município de Sul Brasil. Para o levantamento, foram utilizados métodos indiretos, como armadilhas fotográficas, coleta de pegadas e entrevistas com moradores locais.
— Os mamíferos são animais ariscos, o que dificulta sua visualização direta. Por isso, utilizamos armadilhas fotográficas que capturam imagens quando há movimento de animais. Além disso, coletamos vestígios, como pegadas, e fizemos entrevistas para obter informações sobre as espécies que habitam o local — detalha Jackson.
Após 10 meses de amostragem, a pesquisa registrou 122 ocorrências, revelando a presença de 15 espécies diferentes de mamíferos, incluindo espécies ameaçadas de extinção, como o veado-bororó e três felinos silvestres: o gato-maracajá, o gato-mourisco e o gato-do-mato-pequeno.
— Esse remanescente florestal suporta espécies muito importantes que dependem dessas áreas para sua sobrevivência. O trabalho ressalta a importância de preservarmos esses locais críticos para a conservação da fauna local, especialmente as espécies ameaçadas — conclui o professor.
Além de contribuir para a conservação da biodiversidade, o projeto promove o contato direto dos estudantes com a pesquisa científica, gerando dados fundamentais para a elaboração de estratégias de preservação na região.
Fonte: Portal Peperi
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