No Rio Grande do Sul, o problema é a falta de chuva.
O fruto que não cresce no cacho é reflexo da estiagem. Em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, o principal impacto está nos parreirais. A safra este ano deve ser 20% menor.
“É prejuízo mesmo. O aumento que teve no preço mínimo da uva não vai compensar as despesas que foram tidas”, lamenta o agricultor Fernando Milani.
Em Bagé, a maior cidade da região da Campanha Gaúcha, os 120 mil moradores convivem com o racionamento de água há mais de um mês. Durante 12 horas por dia, o fornecimento de água é interrompido. Ao menos 200 famílias já dependem exclusivamente do caminhão-pipa da prefeitura.
“Horrível! Não tem água para tomar, não tem água para lavar roupa, para banho, muito menos comida. Zero”, reclama a diarista Ana Cardoso.
Em Hulha Negra, na mesma região, o produtor rural João dos Santos perdeu 80% da produção de leite. A pastagem, plantada em dezembro, não cresceu e faltou comida para os animais.
“O gado emagrece, as vacas não conseguem dar leite, porque o leite precisa do pasto verde para dar. E, não tendo pasto verde, os bichos vão ficando decadentes. Eu temo que pode morrer meus bichos. Eu já perdi dois”, conta.
Já são seis meses de pouca chuva no estado; mais de 300 cidades gaúchas decretaram situação de emergência. A Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul estima que as perdas na agricultura e pecuária passem dos R$ 12 bilhões.
Uma comitiva de ministros chegou nesta quinta-feira (23) ao estado para visitar as áreas afetadas. Nesta quarta, o governo federal autorizou um repasse de R$ 430 milhões para agricultura, desenvolvimento social e Defesa Civil. Segundo o ministro de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, o dinheiro vai ser liberado imediatamente:
"Tanto os agricultores já podem acessá-los, como as prefeituras e o estado também poderão acessá-lo. É um recurso imediato. Ao mesmo tempo, agora, junto com o governador e as entidades do campo, nós vamos definir outras questões importantes para enfrentamento da seca e da estiagem aqui no Rio Grande do Sul".
O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul, Carlos Joel, reconhece a importância da ajuda, mas reforça a necessidade de outras medidas para atender a todos os produtores gaúchos.
"Nós temos muitos financiamentos e muitos agricultores que estão aí no terceiro ano de estiagem, com prorrogações feitas há dois anos, e vão ter mais uma esse ano. Então, precisa ser uma prorrogação mais alongada, com subsídio, para esse produtor poder buscar um novo crédito", defende.
Fonte: Portal Peperi
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