Empresária de SMO relata momentos de desespero dentro de avião durante tornado em Chapecó

Por Ricardo Orso, São Miguel do Oeste

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Empresária de SMO relata momentos de desespero dentro de avião durante tornado em Chapecó

A empresária Sandra Caron, moradora de São Miguel do Oeste, viveu momentos de medo e tensão dentro de uma aeronave durante o tornado que atingiu Chapecó na manhã desta quarta-feira, 4. Ela estava em um avião que se preparava para decolar com destino a São Paulo quando a forte tempestade atingiu o Aeroporto Serafim Enoss Bertaso.

Em entrevista à Peperi, Sandra contou que havia saído de São Miguel do Oeste pela manhã para participar de um evento em São Paulo. Até o momento do embarque, a viagem transcorria normalmente, e uma chuva fraca era registrada na região do aeroporto.

A situação mudou rapidamente quando os passageiros já estavam acomodados na aeronave e aguardavam a decolagem. Segundo a empresária, a chuva ganhou intensidade e fortes rajadas de vento começaram a atingir o avião, provocando momentos de apreensão entre os ocupantes.

Sandra relatou que a aeronave estava praticamente pronta para iniciar a decolagem quando o comandante decidiu interromper o procedimento e aguardar a melhora das condições meteorológicas.

Conforme a passageira, o piloto explicou que a intensidade do vento representava um risco para a operação. Durante a comunicação aos passageiros, o comandante teria mencionado que o avião, com aproximadamente 77 toneladas, estava se movimentando devido à força da ventania.

A empresária afirmou que era possível sentir a pressão do vento e o movimento da aeronave, mesmo com o avião parado em solo.

O medo tomou conta dos passageiros, que não tinham dimensão da gravidade do fenômeno meteorológico que atingia o aeroporto naquele momento.

De acordo com Sandra, a situação foi ainda mais preocupante porque todos estavam preparados para viajar e não imaginavam que a tempestade pudesse atingir tamanha intensidade.

Apesar da tensão, a empresária acredita que a decisão do comandante de não decolar foi fundamental para preservar a segurança de todos que estavam a bordo.

Passageiros ficaram mais de uma hora dentro do avião

Após a passagem da tempestade, os passageiros precisaram permanecer por mais de uma hora dentro da aeronave. Segundo Sandra, os estragos provocados pelo temporal dificultaram o desembarque.

Ela explicou que a estrutura externa do aeroporto havia sido atingida e que, naquele momento, não havia escadaria disponível para permitir a saída dos passageiros.

Durante esse período, a tripulação manteve contato com os ocupantes, explicando a situação e procurando tranquilizar as pessoas.

Sandra destacou especialmente a postura do comandante, que, mesmo diante das dificuldades, demonstrou tranquilidade e profissionalismo.

Conforme a empresária, o piloto informou aos passageiros que não havia condições de realizar o voo, mesmo diante da preocupação de algumas pessoas que tinham compromissos agendados em seus destinos.

Ela também relatou que, em determinado momento, a tripulação enfrentou dificuldades de comunicação com a estrutura de controle do aeroporto, em razão dos danos provocados pela tempestade.

Ainda segundo Sandra, havia crianças dentro da aeronave, o que fez com que os adultos procurassem manter a calma para evitar que o medo se intensificasse.

A empresária elogiou a atuação da tripulação, especialmente pela maneira como as informações foram transmitidas durante a situação de emergência.

Destruição no aeroporto surpreendeu empresária

Quando finalmente conseguiu desembarcar, Sandra encontrou um cenário de destruição que, segundo ela, era ainda pior do que imaginava enquanto permanecia dentro do avião.

A empresária relatou ter visto estruturas danificadas, postes caídos, coberturas destruídas e diversos veículos atingidos pela força dos ventos.

Os estacionamentos próximos ao aeroporto também apresentavam estragos significativos. Conforme Sandra, várias coberturas foram arrancadas e automóveis sofreram danos.

Além dos prejuízos materiais, ela destacou o desespero das pessoas que estavam no terminal e nas proximidades.

Algumas choravam, enquanto outras tentavam entrar em contato com familiares e encontrar uma maneira de deixar o aeroporto.

Segundo a empresária, os danos e as dificuldades de circulação também prejudicavam o acesso de veículos ao local.

Sandra contou que, enquanto estava dentro da aeronave, não conseguia compreender a dimensão dos estragos. Somente depois do desembarque percebeu a gravidade da situação.

Para ela, as imagens divulgadas não conseguiam transmitir completamente o cenário encontrado no aeroporto.

Falta de comunicação aumentou preocupação com familiares

Outro momento de angústia relatado pela empresária foi a dificuldade para entrar em contato com a família.

Sandra explicou que, após a tempestade, enfrentou problemas de comunicação e não conseguiu avisar imediatamente que estava bem.

A situação aumentou sua preocupação, especialmente porque imaginava que as notícias sobre o tornado já estavam sendo divulgadas e poderiam assustar seus familiares em São Miguel do Oeste.

Ela relatou que, quando conseguiu estabelecer contato, a emoção foi grande. A empresária contou que chorou, conversou com amigos e familiares e agradeceu por não ter sofrido ferimentos.

Sandra também demonstrou preocupação com as pessoas que tiveram prejuízos materiais, principalmente aquelas que deixaram veículos nos estacionamentos próximos ao aeroporto.

Segundo ela, muitas pessoas precisarão reconstruir estruturas e recuperar bens danificados pela tempestade.

Apesar disso, a empresária ressaltou que a preservação da vida é o mais importante diante de uma situação dessa magnitude.

Viagem estava atrasada antes da tempestade

Durante a entrevista, Sandra revelou ainda um detalhe que chamou sua atenção após o ocorrido: o voo estava com um pequeno atraso.

A empresária refletiu sobre o que poderia ter acontecido caso a aeronave tivesse decolado no horário inicialmente previsto.

Para ela, a decisão do comandante de aguardar melhores condições meteorológicas representou um grande alívio.

Sandra contou que estava animada para participar de um evento em São Paulo, mas que, depois da experiência, sua principal preocupação passou a ser retornar para casa e reencontrar os familiares.

A empresária também afirmou que nunca havia enfrentado uma situação semelhante, especialmente dentro de uma aeronave.

Durante o retorno para São Miguel do Oeste, ela destacou o sentimento de gratidão por ter saído ilesa da situação.

Sandra encerrou o relato reforçando que, apesar dos prejuízos provocados pelo tornado, a vida deve ser colocada acima de qualquer bem material.

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