O dólar opera em queda nesta quinta-feira, 02, negociado abaixo dos R$ 5 pela primeira vez em quase oito meses. A queda vem depois de uma nova desaceleração na alta dos juros nos Estados Unidos e da manutenção da Selic em patamar elevado pelo Banco Central, que favorecem o real.
Às 13h06, o dólar recuava 1,23%, vendido a R$ 4,9982. Na mínima do dia até o momento, chegou a R$ 4,9417. Na quarta-feira, a moeda norte-americana recuou 0,25%, a R$ 5,0604. Com o resultado, a moeda passou a acumular perda de 0,99% na semana, de 0,25% no mês e de 4,12% no ano.
O que está mexendo com os mercados?
O tombo do dólar foi desencadeado em parte pela decisão da véspera do Federal Reserve (BC dos EUA) de elevar a meta de taxa de juros em 0,25 ponto percentual, uma desaceleração em relação a aumentos anteriores de 0,50 e até 0,75 ponto.
"Ganhou força desde o final do ano passado a ideia de que o Fed ia desacelerar a alta de juros, e isso se concretizou ontem e enfraquece o dólar em relação às moedas todas, é um movimento global", disse à Reuters Bruno Mori, planejador financeiro pela Planejar.
O Banco Central do Brasil decidiu manter a Selic em 13,75% ao ano e ressaltou que a incerteza fiscal e a deterioração nas expectativas de inflação do mercado elevam o custo para que a autoridade monetária atinja suas metas, sugerindo taxas altas por mais tempo.
"A ideia de que os juros não vão cair tão cedo ganham cada vez mais força e evidência prática, e o fluxo para o mercado local tende cada vez mais a aumentar", explicou Mori, destacando o amplo espaço entre os patamares de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
Quanto maior o diferencial entre os custos dos empréstimos domésticos e internacionais, mais atraente fica o real para uso em estratégias de "carry trade", que consistem na contratação de empréstimo em país de juro baixo e aplicação desses recursos em praça mais rentável.
Desta forma, a manutenção da Selic no nível elevado atual e um arrefecimento do aperto monetário do Fed jogam a favor da divisa brasileira. Com o real nadando a favor da correnteza, a tendência para o mês de fevereiro é de que o dólar rompa definitivamente a barreira dos R$ 5 para baixo, acrescentou o especialista à Reuters.
Nesta quinta, o Banco Central Europeu aumentou novamente as taxas de juros e indicou pelo menos mais uma alta no próximo mês. O BCE vem aumentando os juros a um ritmo recorde para combater o repentino surto de inflação na zona do euro. O banco central dos 20 países que compartilham o euro aumentou a taxa de depósitos bancários em mais 0,5 ponto percentual, para 2,5%. O banco ainda afirmou que o próximo aumento da taxa será do mesmo tamanho.
Eleições no Congresso ajudam
Alguns investidores apontaram o resultado das eleições para as lideranças do Congresso como um suporte adicional para o real, depois que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu o que queria ao ver reeleitos Arthur Lira (PP-AL) como presidente da Câmara e Rodrigo Pacheco (PSD-MG) como presidente do Senado.
"Câmara e Senado consolidaram condições de governabilidade melhores, isso é superpositivo para a questão da atividade (econômica)", disse Mori, que também citou uma reabertura econômica na China como outro impulso para a divisa doméstica e outras moedas de países emergentes.
Fonte: Portal Peperi
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