Jaraguá do Sul estima que a implementação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e o tarifaço anunciado por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, impactará negativamente a economia da cidade. A secretaria municipal da Fazenda realizou, na última semana, uma reunião para discutir estratégias de enfrentamento aos impactos orçamentários.
Durante o encontro, o secretário Tiago Coelho Przywitowiski enfatizou que a lógica de arrecadação mudará significativamente, já que a tributação passará a ser baseada no destino (onde se consomem as mercadorias) e não mais na origem (produção).
“Jaraguá é um município com forte base industrial, mas com população relativamente menor. Isso nos coloca em posição vulnerável, pois a arrecadação será redistribuída com base no consumo e população local, e não mais onde os produtos são fabricados”, alertou o secretário.
Como impostos e tarifaço impactam Jaraguá do Sul
A prefeitura da cidade do Norte catarinense informou que estudos preliminares apontam uma possível perda de até 7% da arrecadação proveniente de ICMS e ISS, cujo valor projetado para 2025 é de R$ 350 milhões.
“A perda pode representar até R$ 30 milhões a menos no orçamento anual da prefeitura. E afeta diretamente a capacidade do município de manter e expandir serviços essenciais. Por isso, é urgente reagir de forma estratégica, planejada e justa”, afirmou o secretário.
Já a taxação de 50% sobre os produtos brasileiros, pelos EUA, também preocupa a administração municipal. De acordo com o secretário, em 2024, Jaraguá do Sul exportou mais de US$ 1 bilhão, sendo 25% deste valor para os EUA.
Apenas a WEG, gigante do setor de motores elétricos, equipamentos para energia, mobilidade elétrica e tecnologias industriais, responde por 90% do valor total de exportação da cidade ao país norte-americano.
“Empresas podem diminuir empregos ou demitir. Além disso, há risco de efeito cascata, afetando prestadores de serviços locais e ampliando os prejuízos em toda a cadeia econômica da cidade”, alertou Przywitowiski.
Medidas adotadas
Uma das principais medidas adotadas pela pasta é a capacitação intensiva dos fiscais. O secretário destacou que a equipe precisa estar preparada para lidar com o novo tributo e, ao mesmo tempo, fortalecer a arrecadação dos tributos que continuarão sob responsabilidade municipal.
“Agora não é mais uma questão de querer fazer, é de ter que fazer. Precisamos dominar o IBS, revisar a planta genérica de valores do IPTU e regulamentar o ITBI”, reforçou.
O contato direto com as principais empresas do município foi outro ponto abordado na reunião. Segundo o secretário, cerca de 60 empresas representam quase 80% do valor adicionado fiscal de Jaraguá. A secretaria também planeja ampliar campanhas de educação fiscal e avaliar novos programas de regularização e transação tributária.
“Precisamos garantir a sustentabilidade fiscal do município sem aumentar tributos, apenas garantindo justiça tributária e cobrando de quem realmente deve”, completou.
Fonte: Portal Peperi
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