Câmara rejeita projeto que previa câmeras em salas de aula em SMO

Por Ricardo Orso, São Miguel do Oeste

Compartilhar
Câmara rejeita projeto que previa câmeras em salas de aula em SMO
Foto: Divulgação/ Ascom

Os vereadores de São Miguel do Oeste rejeitaram, nesta quarta-feira, 11, o Projeto de Lei 116/2024, que obrigava a instalação de câmeras com áudio e vídeo em salas de aula de escolas públicas e privadas do município. A proposta, de autoria do vereador Valnir Scharnoski (PSDB), foi arquivada após ampla discussão e votação contrária, com oito votos contra, três a favor e uma abstenção.

O objetivo do projeto era aumentar a segurança e transparência nas instituições de ensino, com destaque para a proteção de alunos em situações de vulnerabilidade, como crianças com necessidades especiais. O autor argumentou que a medida poderia garantir práticas pedagógicas adequadas e maior inclusão.

A Comissão de Justiça e Redação emitiu parecer contrário ao projeto, com voto contrário do presidente Ravier Centenaro. Ele justifica que o projeto “não está em consonância com a natureza normativa, não sendo apresentadas as planilhas de impacto financeiro e medidas de compensação pelo autor”. Já os demais membros da CJR, Moacir Fiorini e Gilmar Baldissera, se abstiveram.

A Comissão de Finanças e Orçamento também emitiu parecer contrário à proposta, com votos de Ravier Centenaro e Marli da Rosa. Eles justificam que o autor do projeto “não se manifestou quanto ao pedido desta Comissão para apresentação de planilha de impacto financeiro e medidas de compensação, que são obrigatórias em projetos de lei de iniciativa do Legislativo que criam despesas para o município”.

DEBATE DO PROJETO

O presidente da Acismo, Giovani Gobbi, solicitou espaço na tribuna da Câmara para falar sobre o projeto. Ele defendeu o debate sobre a proposta, mas disse que a instalação de câmeras nas salas de aula não resolve os problemas existentes em escolas, como o bullying; e que pode criar inclusive outros problemas. Defendeu que a melhora na educação se dá com a valorização dos professores, entre outras ações, e não com a vigilância.

A presidente da Associação de Autistas, Pais e Amigos do Extremo-Oeste, Francele Rasche, também utilizou a palavra no debate do projeto. Ela defendeu a discussão sobre a proposta; afirmou que a instalação de câmeras assusta, que o professor pode sentir seu espaço invadido, mas que ao mesmo tempo pode se defender de situações que acontecem. Disse que, como mãe, quer saber o que acontece com seu filho na escola, se ele se machuca, se é agredido. “Entendo o lado dos professores, entendo o lado das escolas, entendo o lado de quem é contra, mas vejo que a gente, como pai, deixa seu bem mais precioso na escola, e às vezes acontece o que a gente não gostaria que acontecesse”, afirmou.

VOTAÇÃO

Em sequência, o projeto foi amplamente debatido pelos vereadores. Após o debate, foi rejeitado por 8 votos a 3, e uma abstenção. Foram contrários ao projeto os vereadores Carlos Agostini, Cris Zanatta, Elias Araújo, Islona Medeiros, Maria Tereza Capra, Marli da Rosa, Moacir Fiorini e Ravier Centenaro; e foram favoráveis os vereadores Valnir Scharnoski, Vanirto Conrad e Vilmar Bonora. Gilmar Baldissera se absteve, e o presidente Paulo Drumm só votaria em caso de empate. Com a rejeição, o projeto é arquivado e não volta à pauta da Câmara.

Fonte: Portal Peperi

Fique por dentro das últimas novidades do Portal Peperi