19.02.2026 às 15:55h - Geral

MP reage à decisão que inocentou ex-vereadora que matou o marido em SC

Ricardo Orso

Por: Ricardo Orso São Miguel do Oeste - SC

MP reage à decisão que inocentou ex-vereadora que matou o marido em SC
Foto: Daiane Carolina/ND

O caso que aconteceu no pequeno município de Paial, no Oeste de Santa Catarina, tem novos capítulos. O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) recorreu da decisão do Tribunal do Júri que absolveu a ex-vereadora Adriana Terezinha Bagestan, acusada de matar o marido, Sedinei Wawczinak, de 42 anos.

A absolvição foi decidida na quarta-feira, 11, quando os jurados aceitaram a tese de legítima defesa apresentada pela defesa. Agora, com o recurso do MP, a Justiça vai analisar se mantém a decisão ou se o caso deverá passar por um novo julgamento.

MP reage à decisão que inocentou ex-vereadora que matou o marido

A ex-vereadora, Adriana, estava sendo acusada de homicídio qualificado, porque, segundo a denúncia, o disparo foi feito enquanto o marido dormia, o que teria impedido qualquer chance de defesa. O crime ocorreu dentro da casa da família, onde o casal vivia com os dois filhos.

Durante o julgamento, os advogados sustentaram que Adriana foi vítima de violência doméstica ao longo dos 15 anos de relacionamento. Segundo a defesa, ela agiu para proteger a própria vida e a dos filhos.

A advogada Ana Paula Signori afirmou que todas as provas foram analisadas com cuidado pelos jurados e que, ao final, a tese de legítima defesa foi aceita.

O advogado Cleiber Renato Cagliari também destacou que a decisão não representa comemoração. Segundo ele, trata-se de uma tragédia familiar. Ele afirmou ainda que uma eventual condenação significaria punir “a única sobrevivente” de um contexto de violência.

A ex-vereadora estava presa preventivamente desde o crime. Após a absolvição, ela foi colocada em liberdade.

O Ministério Público, que atuou na acusação, não concordou com o resultado do julgamento e apresentou recurso. Até a decisão do Tribunal, a absolvição continua válida.

Com isso, o Tribunal de Justiça deverá analisar se houve algum erro na decisão do júri ou se o veredicto deve ser mantido. Caso o recurso seja aceito, um novo julgamento pode ser marcado.

A família de Sedinei acompanha o novo desdobramento com expectativa. A mãe da vítima, Joraci Salete Wawcziniak, afirmou que ainda tenta entender o que aconteceu. “Para mim, foi o fim do mundo. Acabou com a família e comigo”, disse.

A irmã de Sedinei, Inês Wawczinak, declarou anteriormente que o casal aparentava ter uma convivência normal. Ela descreveu o irmão como trabalhador e dedicado à lida com o gado. Para a família, o sentimento é de dor e também de impunidade após a absolvição.

O homicídio aconteceu na madrugada do dia 20 de junho de 2025, na casa da família, em Paial, cidade com cerca de 1,9 mil habitantes.

Segundo a investigação, Sedinei foi atingido por um tiro enquanto dormia. Após o disparo, Adriana colocou os filhos, de 6 e 12 anos, no carro e levou a mãe até um posto de saúde para atendimento.

Em seguida, deixou as crianças na casa da irmã, onde teria confessado o crime. Depois disso, fugiu usando o próprio carro e deixou o celular para trás.

Ela foi encontrada posteriormente em uma área rural de Chapecó, onde estava escondida.

Uma das hipóteses investigadas pela polícia é que o crime tenha sido motivado por conflitos familiares. Parentes de Adriana relataram que Sedinei seria agressivo com familiares dela. A defesa usou esse contexto para sustentar a tese de legítima defesa.

Fonte: ND+

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