UTIs ficam no limite em meio à vacinação contra gripe em baixa na maior cidade de SC

Por Ricardo Orso, São Miguel do Oeste

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UTIs ficam no limite em meio à vacinação contra gripe em baixa na maior cidade de SC

Os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ficam no limite em um cenário de baixa cobertura vacinal contra a influenza em Joinville. Na tarde desta segunda-feira, 4, a taxa de ocupação dos leitos chegou a 95,5% na região Norte de SC, enquanto apenas 25,9% dos grupos prioritários receberam alguma dose da vacina contra a Influenza.

De acordo com o critério de regiões adotado pela Secretaria de Saúde, a região do Planalto Norte e Nordeste do Estado, de 291 leitos ativos, para atender uma população de mais de 1,4 milhão de habitantes, tem apenas 13 disponíveis.

De acordo com o critério de regiões adotado pela Secretaria de Saúde, a região do Planalto Norte e Nordeste do Estado, de 291 leitos ativos, para atender uma população de mais de 1,4 milhão de habitantes, tem apenas 13 disponíveis.

Ocupação de leitos de UTI está em 95,5% no Norte de SC

Ao mesmo tempo, a taxa de vacinação acende um alerta na maior cidade de Santa Catarina. Ao todo, 57.564 doses da vacina contra a gripe foram aplicadas na população neste ano. Destas, 38.525 doses foram destinadas aos grupos prioritários, o que representa uma cobertura de 25,9% em Joinville.

Para as autoridades, a situação surge como um alerta, já que os pacientes do grupo de risco são mais suscetíveis a desenvolver formas mais graves da doença, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), especialmente com a chegada do inverno.

Estratégias para avançar a vacinação

O cenário de preocupação levou a prefeitura de Joinville a adotar algumas estratégias para impulsionar a vacinação na cidade. Além da disponibilidade de vacinas durante a semana em Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs) e na Sala de Vacina Central, estão em andamento ações para vacinar as pessoas com maior risco de desenvolver formas mais graves da doença.

Durante todo o mês de abril, a Secretaria da Saúde mobilizou equipes para vacinar idosos acamados e que moram em Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPIs). Os idosos são o grupo prioritário com a maior cobertura vacinal em Joinville até o momento, com 27,4% de cobertura e mais de 27 mil vacinados. A ação já percorreu 52 ILPIs.

— Nesta época do ano, há um crescimento natural da procura dos serviços de saúde devido aos sintomas gripais. Sem a vacina, o risco destes sintomas evoluírem para casos graves é ainda maior. A estratégia de ampliar a cobertura vacinal em crianças é necessária para evitar quadros de bronquiolite ou pneumonia viral, por exemplo, complicações típicas da gripe — afirma a diretora de Vigilâncias da Secretaria da Saúde de Joinville, Maria Cristina Willemann. 

No mês de maio, a Saúde também vai reforçar as ações de vacinação aos finais de semana e em locais de grande circulação da população, como shoppings, eventos e terminais de ônibus.

Pressão no sistema de saúde?

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), os hospitais de SC são referência em alta complexidade e já operam com uma taxa de ocupação historicamente elevada, acima de 80%, devido à demanda por procedimentos especializados e atendimentos emergenciais.

“Até o momento, não há indicação de pressão assistencial relacionada à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) na região Nordeste de Santa Catarina. A Secretaria de Estado da Saúde segue monitorando os dados de notificação e, ao analisar os registros até 25 de abril de 2026, observa-se redução no número de casos em comparação ao mesmo período do ano anterior”, afirma a pasta.

Segundo os dados da SES, em 2025, foram notificados 217 casos de SRAG, enquanto em 2026 o total é de 196 registros, o que representa uma queda de 9,6%.

A médica infectologista Sabrina Sabino alerta sobre os riscos da baixa vacinação contra a gripe, principalmente do grupo prioritário, que pode refletir na ocupação dos hospitais do Estado.

— Aqueles pacientes que deveriam estar protegidos acabam ocupando leito de UTI. Esses pacientes ficam 15, 20 dias e acabam impedindo essa rotatividade de vagas. Então, por este motivo que acaba tendo essa saturação, porque esses pacientes ocupam por muito tempo o leito — detalha.

Fonte: NSC Total

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