O Tribunal de Justiça de Santa Catarina manteve a pena de 20 anos e 24 dias de prisão imposta a Cláudia Fernanda Tavares Hoeckler, condenada por matar o marido, Valdemir Hoeckler, e esconder o corpo dele dentro de um freezer em Lacerdópolis, no Meio-Oeste catarinense.
A decisão foi tomada após a análise de recursos apresentados pela defesa e pelo Ministério Público de Santa Catarina. Com o resultado, a condenação definida pelo Tribunal do Júri permanece inalterada e Cláudia continua presa em regime fechado.
Ela foi condenada por homicídio qualificado, por asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
A defesa pediu a anulação do julgamento realizado em 29 de agosto de 2025, em Capinzal. O TJSC, porém, entendeu que a decisão dos jurados estava de acordo com as provas apresentadas durante o processo.
O Ministério Público também recorreu e solicitou o aumento da pena. A acusação sustentava que deveriam ser consideradas, entre outros fatores, a gravidade do crime, a personalidade da ré, as circunstâncias e as consequências do homicídio. O pedido também foi rejeitado.
O crime aconteceu em novembro de 2022. Valdemir Hoeckler, de 52 anos, trabalhava como motorista de caminhão e foi encontrado morto na casa onde vivia com Cláudia depois de permanecer cinco dias desaparecido.
Segundo a denúncia, Cláudia dopou o marido, amarrou os pés, pernas e braços dele e depois o matou por asfixia utilizando uma sacola. O corpo foi colocado em um freezer.
Após o desaparecimento, ela chegou a registrar um boletim de ocorrência e prestou depoimento inicialmente na condição de testemunha. Durante as investigações, policiais perceberam ferimentos no corpo dela e passaram a apurar seu possível envolvimento no caso.
O julgamento ocorreu na Câmara de Vereadores de Capinzal. Durante a sessão, o freezer utilizado para ocultar o corpo foi apresentado para auxiliar na exposição do caso aos jurados.
Em nota, a defesa informou que recebeu a decisão com serenidade e destacou que também foi rejeitado o pedido do Ministério Público para aumento da pena.
Os advogados ressaltaram ainda que houve um voto divergente favorável à anulação do júri. A partir disso, a defesa afirmou que adotará novas medidas recursais no próprio Tribunal de Justiça buscando a realização de um novo julgamento.
A defesa também sustenta que existem nulidades relacionadas à formulação das perguntas submetidas aos jurados e afirma que aspectos relacionados a um contexto de violência doméstica deverão ser novamente analisados caso seja realizado outro júri.
Fonte: G1 SC
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