Servidores públicos sugeriram manter corpos de três homens trocados mesmo após descobrirem que duas famílias sepultaram desconhecidos em Florianópolis, segundo a agente funerária Aline Thaise Nunes Mikna. "Assim, nenhum dos três casos seriam descobertos", disse à NSC TV.
A confusão teria ocorrido após um erro na liberação pelo Instituto Médico Legal (IML). Dois deles foram sepultados pelas famílias erradas em 10 de abril, com caixão fechado, enquanto o terceiro havia permanecido retido no IML.
"Quando eu fui no IGP (antiga Polícia Científica) juntamente com o gerente da outra funerária, foi sugerida a questão de continuar da maneira que estava, esconder o erro. Que lacrasse a urna, entregasse para o velório normalmente para a família e, depois, fizesse o sepultamento. Assim, nenhum dos três casos seriam descobertos. A gente não fez isso", completou.
Questionada, a Polícia Científica de Santa Catarina negou que essa proposta tenha sido feita.
Entenda a troca
Uma das vítimas era Juliano Henrique Guadagnin, de 24 anos, que morreu de acidente de moto em 9 de abril. Os outros dois foram vítimas de homicídio e tiveram os corpos encontrados no mesmo dia.
Dois deles foram liberados no dia 10 para as respectivas cerimônias de despedida. Um deles foi entregue à funerária contratada pela família de Juliano.
Entenda a troca e a falha na liberação dos corpos:
- Patrick Nunes Ferreira foi sepultado no Cemitério do Itacorubi (região Central) indevidamente no lugar de Denner Dario Colodina.
- Denner Dario Colodina foi sepultado no Cemitério do Rio Vermelho (região Norte), em local destinado à Juliano Henrique Guadagnin da Silva.
- Juliano Henrique Guadagnin da Silva permaneceu retido no IML, sem a devida liberação à família.
Relatório do IML responsabiliza funerária
A NSC TV teve acesso ao relatório de plantão do IML do dia em que os corpos foram liberados. No documento, os plantonistas responsabilizam o agente funerário, profissional da empresa privada responsável por organizar todo o processo fúnebre, pelo erro.
Segundo o relatório, "apesar de demonstrada a exata localização dos corpos liberados para remoção, o agente funerário efetuou a remoção dos corpos de Denner (corretamente) e Patrick (equivocadamente, julgando se tratar de Juliano)".
Conforme o documento, isso teria acontecido enquanto a servidora realizava o armazenamento dos cartões FTA - usado para coleta de material genético dos corpos - e a higienização da sala de necrópsia.
A agente funerária Aline Thaise Nunes Mikna, que trabalha na funerária que fez a retirada dos dois corpos, diz que os documentos estavam corretos, mas com corpos trocados.
O advogado da funerária, Juliano Duarte Campos, afirma que a responsabilidade na hora da entrega dos corpos é dos servidores públicos.
"O agente não reconhece, o agente recebe o corpo. Quem tem que ter cuidado e o dever de polícia de fiscalizar é o funcionário do IGP e não o agente da funerária", enfatizou.
Em nota, a Polícia Científica de Santa Catarina reconheceu "que ocorreu um erro operacional na unidade de Florianópolis durante a liberação dos corpos" e lamentou o ocorrido.
Os corpos enterrados foram exumados e, depois de passar novamente pelo IML, foram sepultados novamente no dia 13.
O g1 questionou a Polícia Civil se um inquérito para investigar o caso será aberto, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem. O Ministério Público de Santa Catarina informou, na sexta-feira, 8, que vai instaurar procedimento para apurar o caso.
Fonte: G1 SC
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