O programa Retrato Falado deste sábado, 17, recebeu Maria Tereza Fernandes Siqueira Shem, de 81 anos, que compartilhou lembranças da infância, da vida no campo, da família e da trajetória construída no Extremo Oeste catarinense.
Natural de Sobradinho, no Rio Grande do Sul, Maria Tereza passou a infância na área rural, onde começou a trabalhar na lavoura aos oito ou nove anos. Filha de agricultores, ela ajudava os pais no plantio de mandioca, feijão, milho e outros alimentos. A família era numerosa, com 13 irmãos, e ela era a mais velha.
A entrevistada frequentou a escola por apenas um ano, devido à distância e às dificuldades da época. Segundo ela, a rotina era marcada pelo trabalho e pela produção dos próprios alimentos, com poucas compras. Ainda jovem, também ajudava nas atividades agrícolas e chegou a trabalhar com diferentes ferramentas no campo.
Por volta dos 13 anos, mudou-se com a família para Santa Catarina, estabelecendo-se inicialmente na região de Itapiranga. Aos 16 ou 17 anos, começou a trabalhar para conquistar seu próprio dinheiro e comprar roupas. Foi nesse período que conheceu Lauro Shem, com quem se casou após dez meses de namoro.
O casal viveu junto por 58 anos e teve sete filhos, além de construir uma família com mais de 20 netos, mais de 11 bisnetos e uma tataraneta. Lauro faleceu há quatro anos e cinco meses, após enfrentar complicações respiratórias decorrentes de uma condição de saúde que o acompanhava desde o nascimento.
Em 1972, a família se mudou para Descanso. Anos depois, em 2008, Maria Tereza e o marido passaram a morar na região onde hoje está o bairro Agostini, em São Miguel do Oeste. Na época, o local ainda era área rural e o loteamento foi desenvolvido posteriormente. Ela recorda que a família esteve entre as primeiras a se estabelecer na região.
Após a morte do marido, Maria Tereza enfrentou um período difícil de luto. Com o tempo, encontrou nos encontros com amigas e nas atividades do grupo de idosos uma forma de retomar a convivência social e recuperar o ânimo.
Atualmente, participa do grupo de idosos Pioneiros, onde os encontros ocorrem às quartas-feiras, com dança, oração, confraternização e visitas de outros grupos. Ela também gosta de jogar dominó, visitar as vizinhas e conversar com amigos.
Morando sozinha, Maria Tereza destaca a importância do rádio como companhia no dia a dia. Ela conta que sempre acompanhou a programação radiofônica e que tinha o desejo de participar do Retrato Falado desde a época em que o programa era apresentado por Ademar Baldissera.
Ao final da entrevista, deixou uma mensagem aos ouvintes, incentivando as pessoas a manterem atividades de que gostam, aproveitarem os momentos de convivência e valorizarem uma alimentação natural, com alimentos tradicionais como feijão, mandioca, lentilha e canjica.
A participação no Retrato Falado foi uma realização pessoal para Maria Tereza, que afirmou estar feliz por ter contado sua história e poder compartilhá-la com familiares e ouvintes da Rádio Peperi.
Retrato Falado conta a história de Maria Tereza, moradora do bairro Agostini há 18 anos
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