O ministro Alexandre Padilha divulgou uma nota nesta sexta-feira, 9, na qual negou qualquer atuação em favor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ou do Banco Master e informou que pediu providências jurídicas após a publicação de uma reportagem da revista Veja.
Padilha afirmou ter solicitado que a Advocacia-Geral da União (AGU) avalie medidas judiciais, incluindo um pedido de direito de resposta. Segundo ele, também será requerida uma perícia para verificar a autenticidade e a integridade de um áudio atribuído a Vorcaro.
A manifestação ocorre após a Veja publicar reportagem segundo a qual o ex-banqueiro teria relacionado pagamentos destinados a um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a interesses envolvendo fundos de pensão.
Na nota, Padilha classificou as acusações como falsas e afirmou que nunca agiu ou autorizou terceiros a atuarem em defesa dos interesses de Vorcaro ou do Banco Master.
O ministro também disse que, durante o período em que esteve à frente do Ministério das Relações Institucionais, mantinha interlocução com diferentes setores da sociedade, incluindo representantes do mercado financeiro e do setor produtivo, como parte das atribuições do cargo.
Nesta sexta-feira, a Polícia Federal informou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo relatado pela revista e que também não recebeu da defesa do ex-banqueiro anexos, documentos ou informações com esse teor.
A Procuradoria-Geral da República também afirmou que não houve depoimento oral de Vorcaro durante as negociações envolvendo uma possível colaboração premiada.
Padilha ainda afirmou que as acusações envolvendo supostos repasses ao Instituto Lula e ao documentário dirigido por Oliver Stone não possuem comprovação. O ministro pediu que a origem e a autenticidade do material divulgado sejam investigadas.
Confira na íntegra a nota:
NOTA
Merece repúdio que um suposto depoimento e um áudio com indícios de fraude e manipulação de um criminoso confesso seja usado para tumultuar o processo eleitoral para que seu cúmplice, o candidato Flávio Bolsonaro, seja favorecido na falsa tentativa de legitimar R$ 65 milhões destinados supostamente ao filme em homenagem a um ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado e responsável por centenas de milhares de mortes na pandemia.
Em razão disso, pedi que a Advocacia-Geral da União (AGU) ingresse com as providências judiciais cabíveis para exigir direito de resposta às mentiras apresentadas. Também será solicitada perícia sobre a veracidade, autenticidade e integridade do áudio veiculado, uma vez que a Procuradoria-Geral da República já declarou, publicamente, que não foi realizado nem registrado depoimento oral de Vorcaro sobre esse tema justamente por conta da rejeição da delação por sua completa ausência de provas.
Em nenhuma hipótese e sob nenhum pretexto, jamais agi ou autorizei que outros agissem em defesa dos interesses de Daniel Vorcaro e do Banco Master. O depoimento mentiroso do banqueiro é tão desprovido de qualquer comprovação que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República atestaram que os relatos trazem apenas informações desencontradas, sem provas e sem confissão de crime. Além de mentiroso, o enredo contado sequer tem sentido cronológico. A peça representa uma tentativa tosca de confundir a sociedade, com o objetivo descarado de minimizar a gravidade do repasse de recursos para a família Bolsonaro, a pretexto de financiar o filme Dark Horse. Assim como tenta reproduzir para o Presidente Lula o esquema operado por Flávio Bolsonaro: o financiamento supostamente direcionado a um filme e a um instituto.
Enquanto fui ministro de Relações Institucionais, fazia parte de minhas atribuições institucionais fazer interlocução com todos os setores da sociedade, inclusive do mercado financeiro e do setor produtivo. E o fiz sempre em absoluto respeito à lei e em defesa do povo brasileiro, como é a orientação do Presidente Lula. Prova desse compromisso é que foi no nosso governo que Vorcaro foi preso e o Banco Master, liquidado. Essa postura de rigor faz cair por terra qualquer acusação falaciosa de que tenha havido envolvimento e repasses de recursos para beneficiar a mim, ao Instituto Lula e ao filme do diretor Oliver Stone, que já rechaçou publicamente ter recebido qualquer tipo de verba de Daniel Vorcaro.
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