‘Não quero mais pou-pou’: mães relatam reação de crianças após ataque em CMEI de Curitiba

Por Ricardo Orso, São Miguel do Oeste

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‘Não quero mais pou-pou’: mães relatam reação de crianças após ataque em CMEI de Curitiba

Medo, dificuldade para dormir, choro e mudanças de comportamento passaram a fazer parte da rotina de algumas das crianças mantidas reféns durante cerca de três horas e meia em um Centro Municipal de Educação Infantil de Curitiba.

O ataque ocorreu na sexta-feira, dia 9, no bairro São Braz. Treze crianças foram mantidas dentro de uma sala por um homem armado com uma faca. Conforme a Polícia Militar do Paraná, ele também espalhou combustível pelo ambiente e ameaçou colocar fogo no local.

Entre os alunos estava um menino de 3 anos que havia ido ao CMEI fantasiado de Homem-Aranha para uma atividade alusiva ao Dia das Crianças.

A mãe, Giovana Lima, relatou à RPC que a roupa do filho estava com cheiro de gasolina após o resgate.

Em casa, o menino teve dificuldade para dormir e começou a repetir palavras e situações associadas ao que havia presenciado.

“Ele veio mais para perto de mim e ficou repetindo as palavras de ‘janela’, ‘o homem bateu no amiguinho’, ‘pou, pou, eu não quero mais pou’. O ‘pou’ dele são os tiros”, contou a mãe.

Uma menina de 2 anos e 11 meses também apresentou mudanças após retornar para casa.

A mãe, Camila Silva, afirmou que a filha passou a fechar as portas, pedir que as pessoas permanecessem em silêncio, além de apresentar episódios de choro.

“Ela está muito apavorada. Não sei se vou mandar ela para a escola porque ela fecha as portas, fala para a gente ficar bem quietinho, grita, chora”, relatou.

A Prefeitura de Curitiba informou que profissionais de psicologia foram mobilizados para prestar assistência aos alunos, familiares e trabalhadores da unidade.

Além do acompanhamento psicológico, a administração municipal informou que reforçou o patrulhamento e avalia novas medidas de segurança para os estabelecimentos de ensino.

Resgate

Segundo a Polícia Militar, equipes do Bope foram chamadas após o homem invadir uma das salas e manter as crianças reféns.

A negociação durou aproximadamente três horas e meia. Durante parte da ocorrência, o homem permaneceu sentado no chão com uma das crianças no colo.

Do lado de fora, familiares aguardavam informações enquanto a região permanecia isolada pelas forças de segurança.

Um helicóptero da Polícia Militar também participou da operação.

Ao final da ocorrência, todas as 13 crianças foram retiradas do CMEI. Conforme a PM, nenhuma sofreu ferimentos graves.

Fonte: G1 PR

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