O Exército de Israel anunciou neste sábado, 4, que continua suas operações militares na Cidade de Gaza, contrariando as declarações feitas na véspera pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o pedido de cessar-fogo feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo o porta-voz das Forças de Defesa de Israel (FDI), coronel Avichay Adraee, as tropas seguem atuando na região, que continua sob intenso risco. “Para sua segurança, evite retornar ao norte ou se aproximar de áreas onde há presença de forças israelenses, inclusive no sul da Faixa de Gaza”, alertou o militar em publicação na plataforma X.
Na sexta-feira, Netanyahu havia afirmado que Israel se preparava para iniciar “imediatamente” a primeira fase do plano de paz proposto pelos Estados Unidos. Apesar disso, as ações militares seguem intensas, e o Ministério da Saúde de Gaza informou que ao menos 66 palestinos morreram nas últimas 24 horas.
Em nota publicada nas redes sociais, o Exército israelense informou que o governo convocou uma avaliação especial da situação para ajustar a implementação da primeira fase do plano norte-americano, que inclui medidas para a libertação dos reféns ainda mantidos pelo Hamas.
“As FDI priorizam a segurança de suas tropas e direcionarão todos os recursos necessários ao Comando Sul para garantir proteção total durante as operações”, informou o comunicado. O Chefe do Estado-Maior também ordenou que todas as unidades mantenham “máxima vigilância” e estejam preparadas para reagir rapidamente a qualquer ameaça.
Ainda neste sábado, um representante do Hamas declarou à agência AFP que o grupo está “pronto para iniciar imediatamente as negociações” com o objetivo de resolver as pendências do acordo de cessar-fogo.
O plano de paz elaborado pelos Estados Unidos prevê que o Hamas fique fora de um futuro governo na Faixa de Gaza, mas concede anistia aos seus membros caso entreguem as armas e aceitem conviver pacificamente com Israel.
Atualmente, o Hamas mantém mais de 40 reféns sequestrados durante o ataque de 7 de outubro de 2023, que desencadeou o conflito. Segundo autoridades israelenses, parte dessas vítimas já morreu.
A disposição do Hamas em negociar foi recebida com otimismo por líderes internacionais, que renovaram os apelos pelo fim do conflito e pela libertação dos reféns. O grupo palestino Jihad Islâmica, aliado do Irã, também apoiou a proposta — o que pode fortalecer as chances de avanço nas negociações.
Trump, que tem se empenhado em intermediar o acordo, afirmou que acredita em uma “paz duradoura” e voltou a pressionar Netanyahu. “Israel deve interromper imediatamente o bombardeio de Gaza para que possamos retirar os reféns com segurança e rapidez”, escreveu o presidente norte-americano em sua rede Truth Social.
Internamente, Netanyahu enfrenta forte pressão de familiares dos reféns e da população israelense, que pede o fim da guerra, enquanto aliados de linha dura do governo exigem a continuidade da ofensiva até a eliminação total do Hamas.
Desde o início da guerra, em outubro de 2023, mais de 67 mil pessoas morreram na Faixa de Gaza, a maioria civis, de acordo com o Ministério da Saúde local. Do lado israelense, o ataque inicial do Hamas deixou cerca de 1,2 mil mortos e 251 sequestrados. Israel estima que 48 pessoas ainda permaneçam em cativeiro, sendo 20 delas com vida.
“É hora de encerrar essa guerra devastadora e trazer todos os reféns de volta para casa. Queremos reconstrução e reconciliação”, afirmou Efrat Machikawa, integrante do fórum de famílias de reféns e sobrinha de um dos libertados em janeiro.
Fonte: Portal Peperi
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