Uma família de São Miguel do Oeste, denuncia demora no atendimento prestado pelo Hospital Regional Terezinha Gaio Basso (HRTGB) após a morte de uma recém-nascida. O relato foi feito pelo pai da criança, Ramon, em entrevista à Rádio Peperi. Ele preferiu divulgar apenas o primeiro nome.
Segundo Ramon, a esposa, começou a sentir contrações por volta das 4h da madrugada do dia 4 de abril. Ao meio-dia, já com dores intensas, ela foi levada ao hospital, onde chegou por volta das 13h e recebeu classificação de risco verde na triagem.
O atendimento médico, no entanto, só ocorreu cerca de três horas depois, por volta das 16h. De acordo com o pai, durante esse período a esposa permaneceu em sofrimento. Na consulta, foi realizado apenas exame de toque, e o médico teria informado que o parto ainda demoraria de dois a três dias, pois o bebê estaria “alto”.
Ainda conforme o relato, após esse atendimento, não houve nova avaliação médica até por volta das 23h30. Durante a noite, após insistência do marido, foi prescrito um medicamento para dor, e a gestante foi orientada a voltar para casa. “Disseram que era melhor esperar em casa do que nos bancos do hospital”, afirmou Ramon.
Já na madrugada do dia 5, por volta das 3h, o casal retornou ao hospital devido à intensificação das dores. A esposa foi novamente classificada, desta vez com risco amarelo. Entre 3h e 5h, segundo o pai, ela chegou a se deitar no chão em agonia enquanto aguardava atendimento.
Por volta das 5h, uma enfermeira encaminhou a gestante para a ala de parto. Ramon só foi chamado às 7h, quando a esposa já estava em estado de grande sofrimento. Um novo exame de toque indicou novamente que o bebê estaria alto, e foi decidido pela realização de uma cesariana.
Ramon relata que não viu o momento do nascimento. Ele afirma ter ouvido um breve choro após a bebê ser retirada da sala. Em seguida, foi informado de que a criança havia nascido em estado grave.
A recém-nascida apresentava sinais de aspiração de mecônio, quando o bebê inala fezes ainda no útero e foi encaminhada ao pronto-socorro. Segundo o pai, ela estava com oxigênio no máximo e passou por procedimentos para retirada do material dos pulmões e do estômago.
No dia 6 de abril, após uma breve melhora, o quadro piorou. "Ela abriu os olhinhos enquanto eu conversava com ela", disse o pai. Por volta das 18h, a família foi informada da morte da bebê.
A declaração de óbito aponta insuficiência respiratória aguda, hipertensão pulmonar, síndrome de aspiração de mecônio e sofrimento fetal.
Ramon relatou que, na quinta-feira, 2 de abril, a esposa realizou uma consulta de rotina com o médico do posto de saúde, ocasião em que foi constatado que tanto a mãe quanto a bebê estavam bem. Ele destacou ainda que, naquele dia, a gestante estava com 39 semanas e seis dias de gestação.
Em entrevista, Ramon desabafou. “Os médicos estão aí para salvar vidas. Eu senti que mexiam muito nela durante a cesárea, e depois ficou tudo quieto. Minha filha nasceu e já estava em estado grave. Isso não pode acontecer”, disse.
A família afirma que pretende buscar responsabilização civil e criminal pelo caso.
Manisfestação da defesa da família
Os advogados da família, Rômulo Mazutti e João Guilherme Gruber, afirmaram que diante da dor irreparável, a família buscará, com firmeza, a adoção de todas as medidas cabíveis para a elucidação dos fatos e a consequente responsabilização cível e criminal de todos os que, direta ou indiretamente, tenham contribuído para o resultado desastroso.”
Posição do hospital
Procurado pela reportagem, o Hospital Regional Terezinha Gaio Basso informou, por meio de nota, que tomou conhecimento da denúncia pela imprensa e que não pode divulgar detalhes devido ao sigilo médico. A unidade destacou que possui equipe especializada e que irá apurar os fatos.
O hospital também declarou solidariedade à família e afirmou estar à disposição para esclarecimentos.
Confira a nota na íntegra:
NOTA
O INSTITUTO SANTÉ – HOSPITAL REGIONAL TEREZINHA GAIO BASSO, nesta data e pela imprensa, teve ciência de denúncia referente a atendimento médico-hospitalar prestado em favor de gestante atendida nesta unidade.
As denúncias vinculam o atendimento prestado ao falecimento da criança.
Como as informações de saúde de qualquer paciente são resguardados pelo sigilo profissional e não podem ser veiculadas, sob pena de ofensa à intimidade e privacidade do paciente, deixa-se de prestar qualquer informação relacionada ao atendimento.
De toda forma, essencial esclarecer que o IS-HRTGB possui profissionais médicos especialistas nas áreas de ginecologia e obstetrícia e pediatria que acompanham todos seus atendimentos pertinentes a elas, bem como todo equipamento necessário para o diagnóstico e plena assistência de gestantes e seus filhos, com exceção de UTI Neonatal, que, em caso de necessidade, é promovida a transferência para atendimento em unidade de maior complexidade.
Como de praxe, esta Unidade Hospitalar irá analisar o caso por meio de sua equipe técnica para apuração dos fatos que consubstanciam a denúncia.
O IS-HRTGB se solidariza com a família e permanece à disposição para prestar o devido acolhimento e eventuais esclarecimentos técnicos que se façam necessários.
São Miguel do Oeste/SC, 10 de abril de 2026.
Atenciosamente,
Rodrigo Lopes -Diretor Geral
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