Impressora 3D para metal, lançador de bolinhas de tênis e uma enxada elétrica capaz de eliminar plantas daninhas sem o uso de defensivos agrícolas. Esses são alguns dos projetos desenvolvidos por estudantes do SENAI de São Miguel do Oeste durante a formação técnica, a partir de desafios propostos em sala de aula e inspirados em demandas da indústria e da sociedade.
As soluções são desenvolvidas dentro da Metodologia SENAI de Educação, que utiliza situações de aprendizagem para estimular os estudantes a aplicar os conhecimentos técnicos na resolução de problemas reais. Segundo o docente Fernando Lorencett, os projetos integram diferentes componentes curriculares e permitem que os estudantes desenvolvam competências técnicas e de gestão ao longo do processo. "A metodologia SENAI de Educação prevê projetos aplicados, que chamamos de Situações de Aprendizagem. Normalmente, eles são direcionados para solucionar problemas da indústria ou desenvolver inovações tecnológicas", explica.
Além do conhecimento técnico, as atividades estimulam planejamento, organização e trabalho em equipe. "A criação de soluções permite colocar em prática o que é visto na teoria e desenvolver a capacidade de gerir processos, projetos e pessoas. Isso resulta diretamente na melhoria das competências dos futuros profissionais", destaca Lorencett.
Entre os projetos desenvolvidos está uma impressora 3D para metal, concebida a partir da proposta de criar uma alternativa mais acessível às máquinas utilizadas atualmente pela indústria. "A ideia surgiu durante uma reunião entre docentes, quando buscávamos um projeto que fosse significativo para a comunidade e tivesse um custo menor do que os equipamentos disponíveis no mercado, que hoje são voltados principalmente para uso industrial", relata.
Outro exemplo é o lançador de bolinhas de tênis, desenvolvido para oferecer uma alternativa de menor custo aos equipamentos comerciais e permitir que atletas realizem treinamentos individuais. Já a enxada elétrica foi criada a partir do aperfeiçoamento de um equipamento existente. "Buscamos reduzir custos e oferecer uma solução que elimina plantas daninhas por descarga elétrica, evitando o uso de defensivos agrícolas", explica o professor.
De acordo com Lorencett, os projetos podem surgir tanto de demandas apresentadas pelas empresas quanto da observação de situações do cotidiano. "Os estudantes buscam soluções para diferentes necessidades, sempre com acompanhamento dos docentes, que avaliam a viabilidade técnica e orientam todo o desenvolvimento."
O processo envolve diversas etapas, desde a identificação do problema até a construção dos protótipos, podendo passar por diferentes unidades curriculares. "A análise do processo produtivo, a prototipagem e a validação fazem parte desse percurso. Alguns projetos, inclusive, podem evoluir para uma pré-incubadora e futuramente se transformar em um negócio."
Durante esse processo, os estudantes aplicam conhecimentos de metrologia, leitura e interpretação de desenho mecânico, automação, controladores lógicos programáveis e outras tecnologias utilizadas pela indústria. A aproximação com o setor produtivo também faz parte da formação. O corpo docente reúne profissionais com experiência industrial, e os estudantes participam de visitas técnicas, palestras e apresentam os projetos em eventos como o Mundo SENAI. "Dessa forma, eles têm contato com problemas reais da indústria e desenvolvem soluções que podem contribuir para o setor produtivo", conclui Lorencett.
Texto e Fotos: Beto Ruschel/Assessoria Fiesc
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