Quase seis anos de destruição e sofrimento causados pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945) tiveram fim com a rendição incondicional da Alemanha, após o cerco a sua capital, Berlim, e a morte do líder do governo nazista. A assinatura do documento que determinava o cessar das operações militares, navais e aéreas alemães a partir do dia 8 de maio tornava esta data um marco na história da humanidade. O Dia da Vitória, como é conhecido até hoje, é celebrado pela 80ª vez. Ele é lembrado também no Brasil, cuja Marinha atuou ativamente para manter a segurança das rotas marítimas do Atlântico.
Naquela ocasião, o Comandante da Força Expedicionária Aliada, General Eisenhower, que também havia liderado a decisiva invasão à Normandia, na França, cerca de um ano antes, escreveu à tropa: “Vós levastes a efeito tarefas militares tão árduas e difíceis que chegaram a ser classificadas de impossíveis. A cruzada que iniciamos nos primeiros dias do verão de 1944 chegou ao seu glorioso término. Constitui meu especial privilégio, em nome de todas as nações representadas neste teatro da guerra, saudar cada um de vós pelo valoroso cumprimento do dever”.
Da neutralidade à beligerância
Dentre as nações a que se referia, estava o Brasil, que apesar de adotar uma posição neutra no início do conflito, declarou estado de beligerância contra a Alemanha nazista e a Itália fascista, em 1942. A decisão era uma resposta ao torpedeamento de navios mercantes brasileiros por submarinos alemães e italianos. Comunicado oficial do governo, em agosto daquele ano, definia os ataques como “inominável atentado contra indefesas unidades da Marinha Mercante de um país pacífico, cuja vida se desenrola à margem e distante do teatro da guerra”.
O País foi o único da América do Sul a enviar soldados para lutar no campo de batalha europeu. Cerca de 25 mil militares da Força Expedicionária Brasileira (FEB) foram direcionados ao norte da Itália para lutar junto ao Exército americano. Quase 500 deles tombaram em combate. O mesmo número de militares da Marinha do Brasil perdeu suas vidas em missões de escolta a navios de guerra e mercantes sob ameaça no Atlântico - de um contingente de 7 mil militares mobilizados. A guerra vitimou, no total, mais de mil brasileiros no mar, entre ataques do Eixo e acidentes.
Sob sacrifícios e provações
Nos esforços para defender os interesses nacionais e evitar o escalonamento da tragédia, os navios da Marinha escoltaram mais de 3 mil embarcações nacionais e estrangeiras. “Todos os navios devem se conservar prontos para entrarem em ação a qualquer momento, quer em viagem, quer nos portos, de forma a ser repelido, com eficiência e rapidez, qualquer ataque, sempre possível, que estas nações intentem contra nossa Pátria”, determinou o Comandante em Chefe da Esquadra à época, Contra-Almirante Durval de Oliveira Teixeira.
Os ataques aos navios mercantes tinham a intenção de reprimir a cadeia logística de abastecimento dos países aliados, cujos membros principais eram Reino Unido, França, União Soviética e Estados Unidos. Era a partir das rotas marítimas que as tropas eram transportadas, municiadas e equipadas. A economia brasileira também dependia do mar, já que Estados Unidos e Europa eram os principais compradores de commodities do País (produtos de origem agropecuária ou de extração mineral, em estado bruto) e fornecedores de produtos industrializados.
O Dia da Vitória representou, para o Brasil, a almejada “paz no futuro” expressada em seu hino nacional. Nesta data, há 80 anos, o então presidente do País, Getúlio Vargas, assim definiu, em seu discurso, a participação do País no conflito: “Esse ato de brutalidade do nazifascismo despertou a cólera sagrada do povo brasileiro (...). Foi feita a vontade do povo! Sabeis o que nos custou de sacrifícios e privações e, afinal, organizamos nossa Força Expedicionária, que se cobriu de glórias nos campos de batalha (…)”.
Fonte: Portal Peperi
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