Demanda vai definir ampliação ou permanência dos voos regionais em SMO

Por Ricardo Orso, São Miguel do Oeste

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Demanda vai definir ampliação ou permanência dos voos regionais em SMO

A procura dos passageiros será determinante para definir a ampliação e até mesmo a permanência dos voos regionais entre São Miguel do Oeste e Florianópolis. A afirmação é do secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Ivan Amaral, em entrevista à Peperi nesta terça-feira, 6. A operação do programa VOA + SC começa no dia 3 de novembro e terá inicialmente duas frequências semanais em São Miguel do Oeste.

Segundo o secretário, os primeiros meses de funcionamento serão utilizados pelo Governo do Estado para avaliar a demanda em cada município atendido. A partir dos resultados, a malha poderá receber novos horários, mais frequências, aviões de maior capacidade e novos municípios. Por outro lado, localidades com procura considerada muito baixa poderão ter a operação revista e, eventualmente, perder a rota.

Ivan Amaral explicou que o VOA + SC faz parte de um planejamento iniciado após a criação da Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias. Um dos primeiros trabalhos foi a elaboração do Plano Aeroviário Estadual, documento que passou a orientar os investimentos do Governo de Santa Catarina no setor.

Conforme o secretário, Santa Catarina possui 24 aeroportos públicos, sendo cinco concessionados. Dos 19 administrados pelo poder público, 16 já receberam investimentos estaduais.

São Miguel do Oeste foi um dos municípios contemplados. Ivan citou melhorias na pista, no sistema de balizamento e em outros equipamentos necessários para garantir condições de operação.

Antes da definição da nova malha regional, representantes da Azul Conecta visitaram os aeroportos incluídos no programa. Segundo Amaral, todas as estruturas selecionadas foram avaliadas e aprovadas pela companhia aérea.

“Se tivesse alguma imperfeição em algum aeroporto, aquele aeroporto não faria a operação de pouso e decolagem”, explicou.

As passagens começaram a ser comercializadas em 28 de setembro pelo sistema da Azul. Os primeiros voos estão marcados para 3 de novembro.

São Miguel do Oeste terá duas frequências semanais

O secretário explicou que a primeira etapa do programa foi estruturada para oferecer duas frequências semanais em cada município participante. A quantidade de voos foi definida levando em consideração o limite mensal de horas de voo contratado pelo Governo do Estado e o orçamento disponível para subsidiar a operação.

Segundo Ivan Amaral, a montagem da malha também precisou considerar horários de outros voos e possibilidades de conexão. No caso de São Miguel do Oeste, uma das preocupações foi criar possibilidades de ligação com outros destinos a partir de aeroportos conectados à malha nacional.

O trecho entre São Miguel do Oeste e Florianópolis terá uma parada em Correia Pinto. Segundo o secretário, isso ocorre devido à distância e às características da aeronave utilizada na operação.

Na volta, o trajeto também será Florianópolis–Correia Pinto–São Miguel do Oeste. De acordo com Amaral, os demais municípios da primeira etapa terão, em regra, ligações diretas com Florianópolis.

Viagem pode cair de cerca de 10 horas para menos de duas horas

Um dos objetivos do programa, conforme o secretário, é reduzir o tempo de deslocamento entre as diferentes regiões catarinenses. Ivan Amaral citou como exemplo a viagem entre São Miguel do Oeste e Florianópolis, que por rodovia pode chegar a aproximadamente 10 horas.

Pelo transporte aéreo, a previsão é que o deslocamento dure aproximadamente uma hora e 40 minutos a uma hora e 50 minutos, dependendo das condições de voo e do vento.

Além da redução do tempo de viagem, o Estado aposta na integração do interior catarinense com outros destinos nacionais e internacionais.

Segundo Amaral, utilizando a estrutura comercial da Azul e as conexões disponíveis, o passageiro poderá sair de São Miguel do Oeste e seguir posteriormente para outros estados ou até destinos internacionais, mediante a compra das passagens correspondentes aos demais trechos.

Passagem até Florianópolis custará R$ 815

O secretário detalhou que a tarifa do trecho São Miguel do Oeste–Correia Pinto será de R$ 500. O trecho entre Correia Pinto e Florianópolis custa R$ 315. Para quem fizer a viagem completa entre São Miguel do Oeste e Florianópolis, o valor será de R$ 815.

Ivan Amaral destacou que os preços se referem exclusivamente à operação regional dentro de Santa Catarina. Caso o passageiro queira seguir de Florianópolis para São Paulo, Minas Gerais ou outro destino, será necessário adquirir outra passagem referente ao novo trecho.

O mesmo vale para conexões feitas a partir de outro aeroporto.

Segundo o secretário, a tarifa regional também possui uma característica diferente dos voos comerciais tradicionais: o preço previsto não muda conforme a antecedência da compra.

Assim, conforme a explicação de Amaral, a passagem adquirida no mesmo dia do voo terá o mesmo valor daquela comprada semanas antes.

Outra diferença apresentada pelo secretário é a política de bagagens. O passageiro poderá levar uma bagagem de mão e despachar uma mala de até 23 quilos sem cobrança adicional dentro das condições previstas pelo programa.

Ivan Amaral afirmou que o modelo foi pensado para tornar a operação regional mais acessível e estimular o uso do transporte aéreo entre as regiões catarinenses.

Estado subsidia a operação

O secretário destacou que o funcionamento da aviação regional depende de subsídio público em razão do custo de operação e da menor capacidade das aeronaves. Segundo ele, sem o apoio estadual, uma passagem entre São Miguel do Oeste e Florianópolis poderia ultrapassar R$ 2 mil somente em um sentido, tornando a operação pouco acessível. 

Com o subsídio, o trecho completo foi fixado em R$ 815.

Questionado sobre quanto o Governo do Estado desembolsa de subsídio por passageiro no trecho de São Miguel do Oeste, Amaral explicou que o contrato não funciona com um valor individual por usuário.

Segundo o secretário, o Governo do Estado paga a operação por hora de voo à empresa responsável.

Demanda será acompanhada nos primeiros meses

Ivan Amaral classificou o início do programa como uma operação piloto. Segundo ele, a equipe estadual acompanhará principalmente os primeiros meses de comercialização e funcionamento para identificar o comportamento da procura em cada cidade.

Se determinado município apresentar demanda elevada, uma das possibilidades será aumentar a quantidade de frequências.

O Estado também avalia, para uma segunda etapa, ampliar o orçamento destinado ao programa, contratar outra aeronave ou utilizar um equipamento de maior capacidade. “Tudo agora vai depender da demanda que a gente vai acompanhar”, afirmou.

Por outro lado, municípios que registrarem baixa utilização serão procurados pelo Governo do Estado. A intenção é conversar com prefeituras e entidades empresariais para estimular o uso do serviço antes de qualquer decisão sobre retirada da rota.

Segundo Amaral, caso a demanda continue muito baixa mesmo após essas iniciativas, existe possibilidade de substituição do município por outra cidade interessada em participar da malha.

Secretário pede que região utilize os voos

Durante a entrevista, Ivan Amaral reforçou diversas vezes a necessidade de utilização do serviço pela população. Ele afirmou que o Estado realizou investimentos nos aeroportos, criou o subsídio para a operação e também adotou medidas tributárias para incentivar a aviação.

Entre elas está a redução da tributação sobre o combustível de aviação, que, segundo o secretário, pode cair de 17% para até 1,5%, dependendo do número de aeroportos atendidos e das condições previstas na política estadual.

Amaral lembrou ainda que Santa Catarina já teve uma aviação regional mais forte nas décadas de 1970 e 1980. Ele destacou também que a Transbrasil teve origem em Videira e defendeu que o novo programa pode recuperar a cultura de utilização de voos regionais no Estado.

“Se a população daquele local não usar, depois não adianta reclamar. A gente vai dar uma primeira, segunda chance, mas pode ser cancelado”, afirmou.

Ao ser questionado diretamente sobre São Miguel do Oeste, Amaral confirmou que uma boa procura poderá levar à ampliação da operação. Segundo ele, o Governo já trabalha no planejamento de uma segunda etapa do programa.

Entre as alternativas estão aumentar o número de frequências, modificar horários, utilizar avião maior ou colocar outra aeronave na operação. Nenhuma dessas mudanças, no entanto, está definida.

As decisões serão tomadas após a análise dos primeiros resultados.

Dionísio Cerqueira pode entrar em nova etapa

A entrevista também abordou a possibilidade de expansão dos voos para outros municípios do Extremo-Oeste. Dionísio Cerqueira aparece entre as cidades que podem ser consideradas futuramente.

Segundo Ivan Amaral, o Governo do Estado está realizando investimentos na estrutura aeroportuária do município. Entre as melhorias citadas estão intervenções no terminal, instalação de farol rotativo, balizamento e PAPI, sistema de auxílio visual utilizado para orientar a aproximação das aeronaves. “Na segunda etapa pode ser Dionísio Cerqueira”, disse.

O secretário, porém, ressaltou que isso dependerá da análise da demanda regional e da organização da próxima etapa do programa.

Itapiranga está em estágio mais inicial

Itapiranga também foi mencionada durante a entrevista, mas a possibilidade de receber voos está mais distante. Segundo Amaral, o aeroporto do município ainda está em uma fase inicial de estruturação e a pista atualmente é de terra.

O Estado pretende iniciar obras no local, mas o secretário avalia que uma eventual inclusão na aviação regional poderia ocorrer em uma etapa posterior.

Ivan Amaral revelou que cidades de outras regiões catarinenses também buscam espaço no programa. Videira, Concórdia, Rio do Sul e Lontras foram citadas entre as localidades que atualmente estão fora da primeira malha, mas demonstram interesse em receber os voos.

Por isso, o secretário ressaltou que a procura efetiva será decisiva para a manutenção das cidades atualmente contempladas.

Municípios com baixa demanda poderão ser substituídos, enquanto uma ampliação do orçamento pode permitir o ingresso de novas cidades sem a necessidade de retirada das atuais.

Dez aeroportos foram escolhidos na primeira etapa

Segundo Ivan Amaral, dez dos 19 aeroportos públicos estaduais foram escolhidos para integrar esta primeira fase do programa. Ele afirmou que a seleção buscou distribuir os voos entre diferentes regiões de Santa Catarina.

Sobre São Miguel do Oeste, o secretário destacou a posição estratégica do município no Extremo Oeste. “São Miguel não foi escolhido por acaso. São Miguel é de extrema importância, porque praticamente é a capital do Extremo Oeste”, declarou.

Na avaliação de Amaral, a consolidação da nova malha dependerá agora da adesão dos passageiros. O secretário pediu que a população conheça o serviço, utilize os voos e contribua para criar novamente uma cultura de aviação regional em Santa Catarina.

As operações começam em 3 de novembro e os bilhetes já estão disponíveis para compra por meio dos canais de venda da Azul.

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