A Defesa Civil de São Miguel do Oeste mantém monitoramento permanente em áreas consideradas vulneráveis a deslizamentos, desmoronamentos e movimentações de terra. Conforme o secretário de Obras e coordenador municipal da Defesa Civil, Wuillian Lanza, aproximadamente 60 famílias vivem atualmente em locais classificados como de maior atenção no município.
Durante entrevista à Peperi, Lanza afirmou que São Miguel do Oeste possui aproximadamente cinco áreas consideradas de risco. Ao detalhar os locais acompanhados, porém, o coordenador citou seis pontos: os bairros Santa Rita, Morada do Sol, São Luís e Pedreiras, além da Vila Nova 1 e 2 e da Vila Basso.
Segundo ele, são áreas que recebem acompanhamento constante da Defesa Civil em razão principalmente da possibilidade de deslizamentos de terra, desmoronamentos, queda de barreiras e outros problemas provocados ou agravados pelo excesso de chuva.
“São os pontos monitorados e com maior risco de incidência de deslizamento, desmoronamento e movimentação de terra. São os pontos críticos e de maior atenção do município”, explicou.
Cerca de 60 famílias vivem nas áreas monitoradas
De acordo com o coordenador, aproximadamente 60 residências, onde vivem em torno de 60 famílias, estão inseridas nas regiões que exigem acompanhamento mais próximo da Defesa Civil.
Além das características naturais dos terrenos, Lanza destacou que problemas relacionados ao descarte de lixo e à falta de manutenção de sistemas de drenagem podem ampliar os riscos.
Segundo ele, materiais descartados de forma inadequada podem provocar a obstrução de bueiros, tubulações e outros pontos de escoamento da água da chuva.
A orientação aos moradores dessas regiões é para que mantenham os arredores das residências limpos e comuniquem o município ao identificarem problemas que necessitem de intervenção preventiva.
Município pretende retirar famílias das áreas de maior risco
Lanza explicou ainda que o município trabalha em conjunto com a Secretaria de Assistência Social para buscar alternativas habitacionais às famílias que permanecem nas regiões consideradas vulneráveis.
A proposta, segundo ele, é promover gradualmente a realocação dessas pessoas por meio de programas habitacionais.
Depois da retirada das famílias, algumas dessas áreas poderão receber ações de recuperação ambiental, reflorestamento e estruturas de proteção e contenção.
O objetivo de longo prazo, conforme o coordenador, é reduzir e, quando possível, eliminar áreas consideradas de risco dentro de São Miguel do Oeste.
Defesa Civil reforça estrutura diante de período mais chuvoso
O acompanhamento ganha importância com a previsão de períodos de chuva mais frequente e volumosa durante a primavera.
Segundo Lanza, o município conta com veículos com tração 4x4, máquinas, ferramentas, equipes e estrutura da Secretaria de Obras para responder a ocorrências.
Em situações de maior proporção, São Miguel do Oeste também pode solicitar apoio da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, que mantém estrutura regional com materiais como lonas, telhas, colchões e kits de higiene e acomodação.
O coordenador lembrou que, em uma ocorrência registrada no ano passado, aproximadamente 150 residências foram atingidas no município. Na ocasião, foi decretada situação de emergência e materiais de assistência às famílias foram disponibilizados com apoio do Estado.
Limpeza de calhas e bueiros pode reduzir problemas
Além do acompanhamento realizado pelo poder público, a Defesa Civil pede atenção dos moradores às condições das próprias residências.
Entre as principais recomendações estão a limpeza de calhas, desobstrução de tubulações e bueiros e verificação das condições de telhados, parafusos e sistemas de fixação.
Lanza também orienta que os moradores acompanhem os alertas meteorológicos oficiais.
Segundo ele, mesmo com obras de drenagem e preparação das equipes, chuvas extremamente volumosas em um curto intervalo de tempo podem superar a capacidade dos sistemas existentes.
Por isso, a orientação é para que a população, principalmente quem vive nas regiões de Santa Rita, Morada do Sol, Vila Nova 1 e 2, Vila Basso, São Luís e Pedreiras, redobre a atenção durante episódios de chuva intensa e procure a Defesa Civil diante da identificação de situações de risco.
El Niño muito forte aumenta atenção para outubro e novembro
O alerta da Defesa Civil ganha ainda mais importância diante do cenário meteorológico projetado para Santa Catarina. A meteorologista Gilsânia Cruz, da Epagri/Ciram, explicou à Peperi que o El Niño atingiu a classificação de intensidade muito forte, após a temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial apresentar anomalia de aproximadamente 2,2°C na região utilizada para monitoramento do fenômeno.
Segundo Gilsânia, o El Niño altera a circulação atmosférica em escala global e, no Sul do Brasil, um dos principais efeitos é o aumento da frequência e da persistência das chuvas. A meteorologista destacou que outubro e novembro são justamente os meses de maior preocupação para Santa Catarina, período em que podem ocorrer tanto vários dias consecutivos de chuva quanto volumes elevados concentrados em curto espaço de tempo.
Além do excesso de chuva, o fenômeno também favorece temporais mais frequentes e intensos. Conforme a meteorologista, alguns episódios podem apresentar granizo de grande tamanho, rajadas de vento superiores a 90 quilômetros por hora e condições para tempestades severas. Também podem ocorrer fenômenos localizados, como tornados e microexplosões, capazes de provocar danos significativos em áreas menores.
Gilsânia reforçou que, apesar da tendência para os próximos meses, a localização e a intensidade de cada episódio só podem ser definidas com maior precisão nas previsões de curto prazo. Por isso, a recomendação é acompanhar diariamente os avisos meteorológicos oficiais, que conseguem indicar quais regiões poderão ser atingidas, o período previsto para a chuva e a possibilidade de temporais severos.
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