Curso de psicologia da UCEFF promove atividade sobre vínculo terapêutico com participação de cães

Por Sandro De Bona, São Miguel do Oeste

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Curso de psicologia da UCEFF promove atividade sobre vínculo terapêutico com participação de cães

Os acadêmicos do 6º período do curso de Psicologia da UCEFF EDUCACIONAL – Unidade Central (Bairro Santa Maria) participam nesta terça-feira (13), de uma atividade educativa com a participação do grupo Patas Terapeutas. Conforme a professora mestra Ana Claudia Yamashiro Arantes, com o tema “Da interpretação à sustentação: o vínculo como possibilidade terapêutica”, a proposta integra a disciplina de Técnicas Psicoterápicas: Psicanálise e busca aproximar os conteúdos teóricos de uma experiência prática sobre vínculo afetivo, sustentação emocional e comunicação não verbal.

Ministrada pela professora mestra Ana Claudia Yamashiro Arantes, a disciplina aborda as diferentes possibilidades de intervenção psicoterapêutica e a importância de compreender as necessidades emocionais de cada pessoa no estabelecimento de uma relação de cuidado.

Do conhecimento teórico à experiência prática

Ao longo da disciplina, os acadêmicos estudam como as técnicas psicoterapêuticas precisam considerar as características da organização psíquica do paciente, suas possibilidades de elaboração emocional e as condições em que o vínculo terapêutico se estabelece.

A proposta também contempla as contribuições de Nise da Silveira, que valorizou as relações afetivas, a expressão artística e a interação com animais no cuidado de pessoas em sofrimento psíquico grave. Os estudos são articulados à teoria do apego, de John Bowlby, que destaca a importância da segurança nas relações para a regulação emocional e o desenvolvimento da autonomia.

“Na formação em Psicologia, frequentemente privilegiamos a compreensão dos fenômenos pela linguagem verbal e pela interpretação. Entretanto, nem toda experiência emocional encontra, inicialmente, condições para ser expressa em palavras. Em determinadas situações clínicas, a construção de um ambiente seguro, a previsibilidade das relações e a sustentação afetiva podem anteceder o trabalho interpretativo”, explica Ana Claudia Yamashiro Arantes.

O vínculo, a comunicação e o respeito aos limites

Durante a interação com os cães do Patas Terapeutas, os acadêmicos são convidados a observar manifestações de aproximação, afastamento, disponibilidade, reciprocidade e estabelecimento de limites, tanto nos animais quanto em suas próprias reações. A experiência também inclui reflexões sobre vínculo, cuidado, presença e sustentação emocional, seguidas de uma discussão coletiva para relacionar as situações vivenciadas aos conceitos estudados em sala de aula.

A presença dos animais permite explorar formas de comunicação que não dependem exclusivamente da linguagem verbal, além de promover reflexões sobre confiança, respeito e reconhecimento das necessidades do outro.

“Os estudantes foram convidados a observar os sinais de aproximação, recuo, disponibilidade e necessidade de afastamento, evitando impor o contato. Essa atitude permite compreender um princípio fundamental da prática psicológica: o cuidado não pode ser confundido com a imposição daquilo que julgamos benéfico para o outro”, destaca a professora mestra Ana Claudia Yamashiro Arantes.

Uma experiência educativa para a formação profissional

A atividade tem caráter educativo e experiencial e não constitui uma intervenção psicoterapêutica com os acadêmicos. A participação dos cães é utilizada como recurso para a observação e a reflexão sobre processos afetivos e relacionais relevantes à futura atuação profissional.

A professora ressalta que a presença de animais pode favorecer oportunidades de interação e experiências de cuidado, mas que esses efeitos dependem do contexto e das características de cada pessoa. Também é necessário respeitar os limites e as necessidades dos animais durante as atividades.

“Acredito que essa experiência seja especialmente pertinente à formação dos futuros psicólogos porque nos convida a reconhecer que a intervenção clínica não se resume à aplicação de uma técnica. Ela exige sensibilidade para compreender as condições emocionais do outro, reconhecer seus limites e construir possibilidades de relação que não sejam invasivas”, afirma a professora mestra Ana Claudia Yamashiro Arantes.

Fonte: Uceff

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