Lucas Rodrigues foi considerado culpado pela morte de Mauricéia Estreich, cunhada de Lucas que foi encontrada carbonizada na casa onde residia com o companheiro, irmão do autor no dia 28 de março de 2021 em Descanso. O veredito do juri popular, realizado nesta sexta-feira, 03, em Chapecó condenou o réu confesso a 16 anos nove meses e 18 dias de prisão em regime fechado.
O Tribunal do Juri reconheceu as qualificadoras de motivo fútil, emprego de fogo e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Os jurados afastaram a qualificadora de feminicídio. O agressor teve ainda negado o direito de recorrer em liberdade.
O julgamento, que se estendeu por oito horas, foi conduzido pelo juiz da 2ª Vara Criminal da comarca de Chapecó, André Milani. O júri ocorreu em fórum adverso da comarca de origem do processo a pedido da defesa que foi acolhido pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina e determinou a comarca vizinha para realizar a sessão. Amigos e familiares da vítima acompanharam todo o julgamento.
Interrogatório
No andamento do júri, após ouvir os depoimentos de três testemunhas, o réu abdicou do direito de ficar em silêncio. Diferente das demais versões contadas ao longo do processo, o agressor surpreendeu até mesmo os advogados de defesa ao dizer que pretendia incendiar a casa para evitar que o pai e outro irmão se mudassem para a residência do casal nos próximos dias. Como era madrugada, segundo ele, a vítima acordou com os latidos do cachorro e o encontrou tentando colocar fogo em sacos de cimento, já dentro da casa. A mulher se municiou com uma faca e ele, ao tentar retirar a arma, acabou ferindo a mão. Lesão que, primeiramente havia sido causada ao quebrar o vidro do carro que estava na garagem da residência, para retirar o veículo e salvar o bem.
O autor do crime contou que quando a vítima ameaçou chamar a polícia, ele estrangulou a moça com as próprias mãos, e não se utilizando de um golpe “mata-leão”, como versão anterior. Acreditando que a mulher estava sem vida, considerou cometer suicídio para evitar a prisão. Assim, abriu todas as bocas do fogão, sentou no sofá e ateou fogo no móvel. Com o desconforto da inalação da fumaça, resolveu fugir usando roupas limpas do irmão que ali morava com a intenção de despistar o envolvimento no fato. Ainda em interrogatório, o réu disse que o desentendimento com a cunhada era pela influência que ele exercia sobre os irmãos para o consumo de drogas e que, inclusive, estava sob efeito de entorpecentes no momento do crime.
Denúncia
De acordo com a denúncia, na madrugada de 28 de março de 2021, o réu foi até a casa do irmão e da cunhada. Quando a mulher abriu a porta, foi surpreendida com um golpe “mata-leão” que deixou ela desacordada. Em seguida, ateou fogo na residência utilizando gasolina. O irmão do acusado, e companheiro da vítima, estava passando a noite na casa do pai. O processo tramita em segredo de justiça.
Relembre o crime:
Mauricéia foi morta no dia 28 de março de 2021. As investigações concluíram que o fogo foi causado propositalmente pelo homem com a utilização de gasolina. O acusado confessou parcialmente a prática do crime. No local, ele a agrediu até deixá-la desacordada.
Ele relatou que acreditando que ela estava morta, ateou fogo no seu corpo e na casa. Também alegou que estava sob efeito de drogas e não soube explicar qual a razão que o motivou a realizar o crime. O laudo pericial confirmou que a vítima aspirou fumaça, o que confirmou que ela estava viva no momento do incêndio.
Fonte: Portal Peperi
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